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POEMAS, MÚSICAS E GIFS POÉTICOS

Assediando sua sutileza

Autor: D'Bara Arruda

​

Caríssimo, você que se diz despido de qualquer preconceito,

mas tem impregnado na mente o odor sutil da casa grande…

 

Depois que quebrei as correntes,

mantendo o fluxo como uma correnteza,

mas agora, uma corrente que arrasta e não aprisiona,

primeiro questionei

e fui culpado por apontar o erro.

Ao apontar o erro, não obtive desculpas,

só indagações.

 

E por que calar minha indignação

quando o que sai da minha voz

é o tom de pele preta,

diminuto numa escala difusa?

 

O piór de estar na guerra

é justo o momento em que você descobre

que o sentimento é um cristal de açúcar

num formigueiro,

mas a razão é amarga,

e a ninguém convém tragar.

 

Mais escura que o brilho da minha alma

é a densidade da minha dor.

Mais límpido que meu sorriso

é o latente “por quê” sem resposta.

 

Bom…

os que antes me faziam de tapete

agora tropeçam no incômodo

do meu ego ancestral.

 

Se enganam

ao jogar desculpas como pó secante.

 

A emoção é autêntica,

as imagens ainda são vívidas

e o tom é ao mesmo tempo lírico e combativo.

O verso?

Esse eu extraio do desdém do seu olhar,

que outrora foi sutil,

mas hoje gargalha na minha face

antes de me intitular

destinatário da sua bala perdida.

 

Meu lombo recita,

em letras garrafais de escrita Braille,

o estalar do chicote

e o ranger das correntes

que ainda escravizam minha existência.

 

Há um “que” repetido, eu sei,

e sei que pra você não é coerente

“corrente” estar no singular,

mas minha ideologia não favorece

ao seu engenho de moer cérebros.

 

Talvez o que você queira seja o plural:

“as correntes”,

no popular, servidão total.

 

Coisa identitária,

o que você marca como vitimismo.

Mas talvez o orgulho

que você assinou com ferro quente

exalasse menos ao longo da história

se o tempo me clareasse.

Bom…

não posso negar que você até finge em tentar,

e o fizera assim:

 

Vergonhosamente EU

(digo, você que roubou para si

o protagonismo do poder mundial).

 

O medo bate à sua porta

e o que te assusta

é saber que, com consciência,

estamos fazendo o contrário

do que você fez

ao arrombar minha casa,

profanar meu santuário

e estabelecer o mandato infindo

com pólvora e açoite.

 

Hahaha.

Hoje, o que você escuta nas comunidades

e abomina com repressão

é o pancadão, batida cardíaca

que pulsa o lamento da senzala moderna.

O som da conta chegando,

da história batendo à porta

para cobrar reparação.

 

Toc toc…

​

​

© D’Bara Arruda – Todos os direitos reservados.Proibida a cópia, reprodução ou uso comercial sem autorização.Licenciado por Creative Commons com crédito obrigatório.

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