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POEMAS, MÚSICAS E GIFS POÉTICOS

Se é para cair, que seja gargalhando (diário de um diplomado em queda– não live)

Autor: D'Bara Arruda

​

Caríssimo eu:

“Guarde este poema sob a língua.

Quando o mundo te derrubar, ele será seu segredo de ressurreição.”

 

Para aquele que me guarda e não dorme,

e habita as entrelinhas dos odus…

 

Vamos lá recolher os cacos do que ainda restou.

De você? — Imagina, sou inquebrável.

Os cacos dos que se chocaram contra minha luz

pensando em abalar minha confiança.

— Ah! Entendi.

 

Tudo bem, mas deixa eu te contar uma história.

Era uma vez — para, para tudo…

Era “vez” vez não, porque ainda estou aqui, entende?

 

Então!

Um preto retinto, no popular “cria”, e ele tinha… não —

Ele ainda tem um sonho, desses que já foi pisado,

triturado e enterrado tantas vezes

que nasceu a imunidade de Orfeu…

 

Carai!

Vários já tentaram, já o derrubaram e lhe saquearam — oh!

Pois é…

Vaso ruim não quebra quando toca o nada.

 

O segredo é levantar

e não sacudir a poeira,

nem lamber as feridas.

É seguir em frente

e deixar que poeira e sangue se misturem

como um concreto,

e criem uma casca de sagacidade —

imagem de tantos tombos,

que, depois de tantos tombos,

já posso dizer que sou o sobrenatural.

 

Isso eu já sou:

herança de ancestralidade.

 

Na verdade,

eu até tenho muito que agradecer a você,

que me empurrou,

porque ficar parado me sufoca.

Eu não gosto de calmaria.

Exu trabalha no caos.

 

Um segundo…

Pronto.

Já joguei na lata do esquecimento

o último pedacinho seu.

 

Eu só deveria sentir pena —

(deveria, mas não sinto) —

dos que seguem sua lábia

achando que estão no caminho certo.

 

E até estão:

é errando que se aprende a se reconstruir na vida.

Se é por falta de adeus, boa sorte.

 

Só um adendo:

Cuidado.

O ser sem escrúpulo

não tem amigos —

só marionetes que ele manipula.

(“E eu corto os fios.”)

 

E aquele que me guarda me diz,

através de um fio cósmico

(cordão umbilical de matriz),

vindo direto do Orun conectado ao meu Ori:

 

— Continue sendo luz que não se quebra.

Vista-se da escuridão do misterioso infindo.

É dela que sai o anjo guardião,

o que derrete a falsidade com o breu da verdade.

E, um dia, ela toma coragem e sai de debaixo do tapete.

 

Lembre-se:

Até Exu faz pausa para confundir os que carecem de gratidão humana.

E, sobre eles,

ele se deleita no riso,

enquanto batem com o ego de um no outro.

 

“Agora, aprenda a rir como Exu — até da própria dor.”

 

​

© D’Bara Arruda – Todos os direitos reservados.Proibida a cópia, reprodução ou uso comercial sem autorização.Licenciado por Creative Commons com crédito obrigatório.

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