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POEMAS, MÚSICAS E GIFS POÉTICOS

Título (sold off) — Aguardando reposição no estoque))

Autor: D'Bara Arruda

​

Carissimo Eu:

Esse poema para ser gravado em papél de pão

e ser lido com coragem enquanto você se masturba

debaixo da chuva de elogios por sua nova aquisição.

 

Quero

Querer

Querendo

— Pare!

Para por quê e pra quê?

— E dar?

Você sabe?

 

Esse nosso egoísmo que devora tudo

Como se não houvesse amanhã

Mal passou um segundo

e o abismo das nossas vontades

lamenta como criança carente

de tudo que já temos.

Mimados do que não precisamos,

nos degladiamos na sexta-feira preta

sem perceber que pisamos em alguém.

— Mas ah!

É só por consumir mesmo, viu?

 

Tá na moda…

— É, também tá no sangue, na exploração humana,

no trabalho escravo, nas crianças sem infância

e sem educação.

Cérebros lobotomizados em construção.

— Chama de progresso?

Mas o grito ecoa retrocesso.

Não?

 

O consumista de hoje

é o produto de amanhã

nessa engrenagem que transcende o tempo,

manipula vidas

e quebra sentimentos

nos moldando:

Máquinas

Manufaturados

Enlatados

Processados

— Confortável, né?

 

E a propaganda?

Afinal, quem fatura com sua fome?

— Essa é o colírio que te cega

com imagens de ofertas de cores piegas.

São donas de suas vontades mais íntimas.

Eles? Altruístas, diz você…

Mas é nos detalhes dos descontos

que o diabo mora.

Te acorrentam a língua

em sabores de laboratório.

— A primeira dose é grátis,

mas depois da ressaca

você percebe o tamanho da nota

(digo, pica).

 

Até que ponto sustentar

esse sustentar a farsa do ‘ser ou não ser’,

como se ainda fosse escolha

e não slogan reciclado da vitrine do ego.

 

Corte as cordas

que sustentam e guiam seus passos.

— Perdeu, marionete.

Você já faz o que eles querem.

Come o que eles põem na sua mesa.

Se veste com a falta de identidade,

como bovino do rebanho coletivo.

Até teu cheiro já não te pertence.

Foi vendido na net

para melhor atender

seus eloquentes anseios.

 

Agora tenta!

Eis a questão:

Você tá todo dominado.

 

Tenta escutar a sinfonia do ridículo.

— Mas cuidado: até a harmonia

dessa música chamada vida

está carregada de arranjos

e notas que viciam.

A dependência mata a alma.

E quando puser a cabeça

pra fora desse mar de lama,

tentar respirar razão,

descobre que:

 

Você nunca foi dono do seu ego…

 

… “Queria.

Mas aí você descobre que

até o vazio tem preço

e que não existe almoço grátis.”

— Jura!

(Um nada do qual o capitalismo

agradeceu e parcelou

em três vezes sem juros.)

 

Eu, Homo economicus,

a evolução da felicidade supérflua.

 

“E se você chorou ao ler isso,

seus dados de biometria emocional

já foram vendidos

para a próxima campanha

de descontos em antidepressivos.”

 

E no fim?

Na sua lápide,

em vez de palavras bonitas,

um código de barras sutil:

(0000000000)

Aqui jaz um consumista.

 

​

© D’Bara Arruda – Todos os direitos reservados.Proibida a cópia, reprodução ou uso comercial sem autorização.Licenciado por Creative Commons com crédito obrigatório.

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