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POEMAS, MÚSICAS E GIFS POÉTICOS
Poema Tarja Preta contra Silêncio ≠ Paz, Mas Opressão
Autor: D'Bara Arruda
— Bula do Brasil em comprimidos de supositório
Caríssimo eu, leia a bula com atenção:
• Para uso exclusivo retal, para desobstruir a mente
• Poema com traços de coronelismo moderno
• Não tome mais de uma dose caso seja
de esquerda ou conservador de direita
• Leia em jejum ideológico.
Efeitos colaterais:
Pode explodir sua ideologia.
Pode fazer você odiar seu time ao invés
da torcida adversária.
Perigo grande de você perder a fé em igrejas
e seguir mais os verdadeiros ensinamentos
de Cristo — ou, em casos de doses grandes, se tornar agnóstico.
Não opere máquinas pesadas após leitura
(pode questionar o sistema).
Para hipocrisia não falta inspiração,
assim como o hábito faz o ladrão.
Pois a escolha nunca foi minha nem sua —
e você só defeca aquilo que comeu.
Olha, alimentam seu cérebro com muito pré-fabricado,
e o resultado é uma digestão que molda a opinião.
— Não me sinto bem com esse diálogo
(BLARRGH)…
… toma aqui essa notícia três vezes ao dia,
de preferência antes e depois da novela,
contra a auto-crítica da indignação.
— Isso é bom pra quê?
— Você vai pensar menos… Plim Plim!
Analisar nem pensar, né pastor?
— Irmão, na bíblia está escrito quê?
Corre a sacolinha ao som de:
“Quem dá com alegria irá prosperar!”
Sim, só de ver o pastor de jato particular
e Rolex de ouro, se entende quem prospera
na banca de jogo divino.
Amém!
— Então? Nessa pirâmide de fé,
com quanto de lucro você saiu?
“Deus proverá, irmão.”
Só não o fez ainda porque o portador da palavra
te selou na testa com a marca do pecador, escrito:
“Otário em desespero, presa fácil para exploração.”
Um dia vai, irmão, um dia…
Bom, enquanto esse dia não vem,
pra quem quer e gosta, tem muita coisa boa proposta.
Futebol? — Perfeito!
Hoje tem jogo às seis,
mas às cinco, como boa massa de manobra,
vamos ali brigar.
Talvez matar uns da torcida adversária,
antes de ter a oportunidade de, da arquibancada,
fazer ofensas racistas.
— Como isso dá audiência para seu clube querido!
Os cartolas só dizem “obrigado”,
e a FIFA se enriquece com a barbárie ignóbil
dessa venda da camisa
aos boletins de ocorrência,
mostrando o caminho que enriquece os cartolas.
— Quer mais?
Vamos lá misturar isso tudo e viajar para Brasília,
aonde lobistas regem o país com maestria
e muito dólar e suco da Faria Lima, adoçado
com pólvora da bancada da bala
e servido com pão de milho transgênico.
— Alguém avise que a ração está na mesa
(mas toque o berrante antes,
pro gado aprender a hora de comer).
E limpem o casco antes de entrar no Planalto —
pra não deixar evidências.
E nas ruas, multidões:
“Caminhando e cantando e seguindo a lição…”
(pego daqui Vandré com uma nova versão)
“… somos nós, omissos, braços dados ou não.”
E nos quartéis nos ensinam uma nova constituição.
— Agora com você de novo, Geraldo…
“… Caminhando e cantando e seguindo a canção.”
E agora?
E no sermão de domingo, a mesma fé que
abençoa a milícia, amaldiçoa o oponente político.
E diz:
“Amar uns aos outros,
obedecer aos mandamentos de Deus
e perseverar fielmente na doutrina de Cristo.”
Ir embora pra onde?
— Se o mundo está louco, João.
Bíblia em uma mão e fazer arminha com a outra
em nome de Deus, Pátria e Família —
e cada vez mais perto do silêncio absolutista
da pós-mentira apocalíptica…
("O silêncio agora é lei...
mas esse poema é o grito que a lei não cala")
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