top of page


POEMAS, MÚSICAS E GIFS POÉTICOS
Anjos (Onde Ele Realmente Brilha), caídos não! Excluídos de asas castradas por nós...
Autor: DBara Arruda
Anjos não voam — caminham com passos curtos entre nós.
Muitos são os que sobrevivem,
outros apenas esboçam um sopro de vida,
ou apenas se permitem o luxo frágil
de observar, por um instante, a auréola de quem lhes trouxe à luz,
antes de desvanecerem em um suspiro profundo
ou de terem seus diagnósticos
engavetados como condenação
— E quantos querubins de cadeiras de rodas
nós apedrejamos com nosso silêncio?
Há os guardiões que rejeitamos
por não se dobrarem ao nosso mapa.
Por não nos espelharem (Dizemos com a retina gotejando desprezo)
Óh! Quão insanos somos ao nomeá-los "especiais" —
como se nossa normalidade não fosse o veneno
que os corrói. (Assim cai mais um anjo.)
Anjos de cartilha rasgada,
que leem o mundo em línguas
que nós chamamos de 'sintoma'.
E os que, de tão evoluídos,
dançam entre poças turvas e límpidas,
embriagados do néctar insalubre desse mundo,
mas cuja pele transpira água pura — Uma garrafa para mesa.
"Qual mesa é? — essa onde se assentam
Estado e Capital Farmacêutico degustando saboreando
um filé 'gourmet' de lucros ao molho de "lágrimas de pais atípicos"
Nhoc, nhoc, hummm "Suculento"
enquanto com desdém misericordioso (—'Hipócritas!',
murmura o Estado entre garfadas)
para o rés-do-chão cheio de migalhas e perguntam:
—Esses?— ah, esses! — são os da guarda invisível,
os que equilibram a balança,
pisando na borda afiada do ridículo,
desafiando as castas... (risos sufocados)
— É só o que escapa entre meus dentes rangidos,
um desvio para ofuscar o preconceito
que insiste em rotular o sagrado
como "transtorno" o natural
como "distúrbio".
Já parou pra pensar
no que eles de fato pensam da gente?
Anjos!
Eu tenho um.
Vejo vários.
E sei, agora, que é sob as asas deles
— não as nossas —
que repousa qualquer chance
de redenção.
Para minha amada Dayane
"o anjo que nos derruba a luz
desafiando— e nossa pseudo-normalidade desaba"
bottom of page



