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POEMAS, MÚSICAS E GIFS POÉTICOS
Antes do Princípio (— na dança do vácuo) ciclo da criação"
Autor: DBara Arruda
(Vácuo: o silêncio que engoliu
o primeiro nome de Deus...) as verdade da inverdade.
Eu já te amava antes do boom do Big Bang —
quando o fogo era só um gemido
na garganta do nada,
e o tempo — um útero escuro
esperando seu primeiro tremor.
Teu perfume existia
antes que o ar aprendesse a circular.
Eu o cheirava — névoa primordial —
entre átomos que ainda não sabiam
ser estrelas.
Minhas veias são mapas tardios
de um rio que já corria em mim
antes de ter leito.
Sangrava sem ferida,
fervor sem forma,
enquanto o cosmos girava
seu moinho de silêncio.
Agora te enxergo:
não pelos olhos, mas pelo sulco
que deixas no peito do universo —
onde a luz hesita...
(...a luz hesita.
E então —
ah, cosmos!
— crepúsculo precoce
cavalgando um cometa,
porque não
quis esperar pelo fim dos dias?)
E agora estamos aqui,
sob o declínio da luz,
enquanto a escuridão
alimenta a máquina de moer existências.
— Amiga Morte, senta-te:
trouxe pão do trigo dos cometas
e vinho do suor das estrelas
que buracos negros cuspiram no colapso final
— último gole antes do nada.
Falamos da primeira estrela que morreu
e do último grão de poeira
que restará.
Deixo nas entrelinhas
o tom menor do meu relógio desmontado
sobre a mesa do fim das minhas
horas como perdão —
o sarcasmo do tic tac atemporal
do subconsciente
Enquanto lá fora,
o vácuo dança
seu balé infinito
com os restos da criação.
Aqui explode meu eu poético
que forçou o Universo a se rasgar
para cabê-lo —
sonhos como agua que sai da nascente
e inunda os mapas que os astrólogos
desenharam em peles de anjos.
epilogo que transborda
conhecimento no leito do inexplicavel.
E por amor, eloquentemente,
você gerou aquilo que os cegos
(...chamam de erro na matemática
que Deus riscou e o vácuo engoliu.)
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