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POEMAS, MÚSICAS E GIFS POÉTICOS

Poema para arejar a consciência com o anti-mofo da razão
Autor: DBara Arruda


— A saga egocêntrica do tempero inumano na alquimia universal…
 
Caríssimo eu…
— pegue seu saquinho de arrependimento pra vomitar sobre ele seu ego…
E tente não rasgar suas vestes quando contar ao brilho das estrelas inexistentes.
Elas já não existem mais…
Agora enterre a face enquanto a verdade dança numa coreografia arrogante
na sinfônica da inverdade ignóbil.
 
Sob a luz do sol eu me sento
E debaixo da sombra do meu pensamento
Repousa o chão.
Quantos pés pisarão firme nele?
E quantos pisarão no futuro dos dias?
 
Um instante…
Segue o silêncio até ser quebrado
Por cânticos de pássaros famintos
Em ninhos de medo,
Em copas de árvores mudas —
Mas no subsolo banqueteiam-se
Restos decompostos do que já foi vida.
 
Talvez…
O ar me pergunta:
— Estou puro?
Quando ele sabe que está poluído de gritos,
Dos homens que se alimentam de outros
E se martirizam pelos bafos quentes na nuca
Que aguçam o libido no estalar do cilício.
Santa penitência…
 
— Não, amigo, sinto o odor do sofrimento,
Da pólvora, da dor, da violência tirânica
Que o alvorecer da manhã testemunhou
E que o escuro da madrugada foi cúmplice,
Enquanto a lua, sem nada fazer,
Chorava lágrimas de omissidade.
 
Ali jaz um sonho…
E as asas do anjo fazem sombra sobre a realidade,
Alimentam a fé cega de que ele um dia voltará.
 
E se não voltar?
E se ele não se importa mais?
Quem sabe se esse muro feito de hipocrisia perversa
É grande demais para ele passar?
 
Já não há empatia,
Nem o estender da mão ao que necessita —
Os dedos ocupam-se em apontar o imperfeito,
Em nome dele…
 
Agora o sol se esconde de mim,
Quando o calor dos meus pensamentos
Ultrapassa as nuvens.
São muitas perguntas que acusam a existência,
E as nuvens derramam-se ácidas sobre meus ouvidos…
 
Zuuummm…
Me interrompe a operária,
Que polariza as horas em favor da rainha.
 
Mel, não.
O que tem, para hoje, é fel,
E beijo sedativo do néctar das varejeiras,
Fluido de notícias pseudo agradáveis
Que implantam lavas de berne
No seu cérebro.
 
Agora abra os olhos…
E enxergue o reflexo do seu interior.
Deixe a vergonha escorrer como hemorragia terminal
Do âmago de sua retina…
E apague a luz — a conta está cara.
 

© D’Bara Arruda – Todos os direitos reservados.Proibida a cópia, reprodução ou uso comercial sem autorização.Licenciado por Creative Commons com crédito obrigatório.

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